quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Pipoca na Panela - Orgia Cinematográfica

O dia do Oscar 2014 está chegando e ainda falta ver alguns dos indicados a melhor filme. Aproveitamos que tínhamos ingressos para gastar (47 Ronins e Glória) e decidimos tirar o dia de ontem para fazer uma verdadeira orgia cinematográfica. Além dos mencionados, incluímos Philomena e Nebraska no nosso cronograma.


Começamos o dia de maneira light com "47 Ronins". Não vou entrar muito a fundo nele. É divertido, mas, na minha opinião, ficou muito galhofa para um filme que tenta ser sério com os conceitos de honra do Bushido. Isso, apesar de tudo, ele conseguiu.

Depois da pipocada, entramos em uma sequência de Philomena, Nebraska e Glória. Todos no estilo que o meu pai gosta de chamar de "filmes de gente". Em vez de comentar um por um, farei uma relação entre eles que me veio quando estávamos nos preparando para ver o segundo filme do dia. Depois de acomodados nas cadeiras, eu fui ao banheiro. Na volta encontrei uma fila de senhorinhas subindo as escadas e pensei: "elas vão demorar uma vida, vou subir pelo outro lado". E assim o fiz. Como havia previsto, cheguei mais rapidamente ao meu lugar do que teria se tivesse esperado a procissão passar.

Não me entendam mal, eu não tenho nada contra velhinhas e, muito menos, contra elas irem ao cinema. Acho ótimo que muitas pessoas com idade mais avançada busquem filmes como forma de entretenimento e reflexão, em vez de ficarem plantadas em casa vendo Vale a Pena Ver de Novo. Gostaria que minha avó fizesse isso.


 O grupo da escada discutia animadamente sobre qual seria o seu lugar, uma delas até tinha uma lanterna. Todas subiam devagar. O cinema estava lotado de velhinhas, talvez porque o filme era sobre uma, talvez por ser uma sessão à tarde de um dia de semana, não sei. Confesso que esperava que o filme se tornaria um show de comentários, como muitas vezes ocorre. "Que horror, por que ele fez isso?" ou "essa fulana é muito mau caráter", ou ainda "olha, foi demitido". Não foi. Uma pena, eu realmente gosto quando isso acontece.

Voltando um pouco ao assunto principal. Não quero parecer velho (de espírito), mas, com o passar do tempo, comecei a pensar em coisas que, há uns anos atrás, nunca me vinham à cabeça. Como, por exemplo, me perguntar "como será a minha velhice?" Tenho todos aqueles medos e dúvidas que a maioria têm, sobre ficar sozinho e tudo mais.

Esses três últimos filmes abordam questões interessantes sobre a vida. Uma senhora atormentada há 50 anos por segredos 'vergonhosos', com um sentimento de culpa imputado por suas crenças religiosas, decide buscar o que lhe foi tomado. Um senhor, vítima de si mesmo, com suas muitas frustrações, se agarra a uma busca fantasiosa para tentar compensar, pelo menos um pouco, as suas faltas. Uma jovem-quase-senhora tenta lidar com a nova fase da vida que chega. Jovem de espírito, divorciada, com dois filhos já adultos e independentes, ela quer viver. No sentido mais amplo da palavra.

Desses, o meu preferido foi Philomena. Com sua beleza e simplicidade, me cativou. Me vi angustiado com o sofrimento que lhe foi imposto e torci por ela até o fim. E fiquei admirado com sua postura diante de tantas adversidades. A mesma fé que a levou a aceitar a injusta penitência; a mesma que foi questionada ao longo do filme, é aquela que traz a redenção para si e para os outros.


Mas também não posso deixar de elogiar Nebraska. Acho que o filme trata o sentimento de humanidade como poucos fizeram. Junto com o filho de Woody, passamos por um processo que nos faz entender um pouco melhor sobre a vida de um homem de poucas palavras, que raramente diz o que realmente sente.

Glória, apesar de não ter me tocado tanto quanto os dois anteriores, me mostrou que a liberdade é sempre possível, se você tiver coragem de se proclamar livre. Não é uma tarefa fácil.



Em comum, três vontades de fazer algo a mais, de compensar o tempo que não volta. Três clamores por mais vida. Só um pouco mais.